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Gabriela, Cravo e Canela vai hipnotizar você

admin 22 de junho de 2012 0

A Globo exibe a nova versão de Gabriela, Cravo e Canela, novela baseada no romance homônimo de Jorge Amado.

Trata-se de uma merecida homenagem àquele que, se vivo fosse, estaria completando 100 anos de vida no próximo dia 10 de agosto. Natural de Itabuna, Amado morreu em 6 de agosto de 2011, em Salvador.

Considerado o escritor mais popular do Brasil (numa época em que ainda não havia os Paulos Coelhos da vida), com mais de 20 milhões de livros vendidos em todo o mundo, Jorge Amado, contudo, nunca foi um sucesso de crítica (ainda que seja mil vezes superior ao PC). Foi, em termos literários, acusado de ter posto a quantidade na frente da qualidade…

No fundo no fundo, o próprio Amado admitiu que era pura e simplesmente um contador de histórias… E que contador de histórias!

Quem lê o grapiúna se depara com um exímio escritor que, para conquistar o leitor, botou a história na frente do enredo, o conteúdo antes da forma, lançando mão de uma narrativa fluida, plana, temperada de muitopanfletismo (sobretudo na primeira fase) e muita sensualidade –beirando a pornografia – e misticismo (especialmente na segunda fase).

Em termos formais, o neorrealismo amadiano não herdou nada da experimentação modernista dum Oswald de Andrade, tendo ficado aquém, inclusive, de baianos como Adonias Filho, parceiro de escola, e, mais recentemente, João Ubaldo Ribeiro.

Com razão, sua obra-prima, Gabriela…, não passaria de uma história bem contada e, portanto, deliciosa de se ler, de sorte que caiu no gosto popular, primeiro como leitura e, depois, como telenovela, filme, fotonovela, dança, quadrinhos….

Por causa da sucessão de episódios e cenas, narrada de maneira ágil e encantadora, e do elenco depersonagens em maiores atrativos psicológicos, o livro em questão está mais para novela literária do que para romance.

No entanto, há mais méritos que deméritos em Jorge, o Amado, que dominou a arte de fabular como nenhum outro autor nacional e, por isso, se tornou o primeiro fenômeno editorial brasileiro, traduzido para dezenas de idiomas.

Bem antes de José Saramago (sem desmerecer o portuga que, aliás, é superior ao baiano na forma), o baiano porreta deveria ter ganhado o Nobel de literatura. A academia sueca, portanto, continua em dívida com a literatura brasileira. No mais, viva o centenário de Jorge, o mais Amado dos escritores brasileiros.

Então, logo mais, todos ligadões nas curvas de Juliana Paes, digo, de Gabriela…

[Texto produzido na última segunda -feira (18/6)]

A. Zarfeg (azarfeg@ube.org.br) é graduado em letras e, atualmente, cursa administração de empresas. Associado à UBE, ele é autor de pelo menos dez livros, entre poemas, crônicas, contos, novela, infanto-juvenil e reportagem. Zarfeg atua na imprensa do extremo sul baiano há anos.

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