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Caso Ânderson Amaral: Vereador que torturou esposa

admin 25 de maio de 2012 0

Caso Ânderson Amaral:Os caturras também contribuíram

Por: Sulbahianews/Edelvânio Pinheiro – 25/05/2012 – 10:29:30

Novamente a cidade de Ibirapuã, localizada no extremo sul da Bahia, se tornou palco para mais uma ação violenta. Em março de 2008, durante assalto ao Banco do Brasil, um policial e cinco bandidos foram mortos. Em agosto do ano passado, um jovem, que tinha envolvimento com drogas, foi assassinado quando era socorrido pelo SAMU, depois de ter sido alvejado a bala no centro da cidade. Desta vez, no dia 16 de maio, o locutor de rodeios Ânderson Amaral Moreira, de 37 anos, que é vereador pelo PSB no município por três mandatos, está sendo acusado de torturar e estuprar a sua mulher Jamile Alves Lima, 22 anos, que diz que teve ainda os cabelos e as sobrancelhas raspados pelo marido. O fato ganhou repercussão na imprensa e até jornalistas renomados, como Samuel Celestino, o qual tive a satisfação de conhecer durante o IX Congresso de Jornalistas da Bahia, em Salvador, comentou o acontecimento em seu portal de notícias. O vereador, que pode responder por tortura, lesão corporal e estupro, teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz Ricardo Costa e Silva, a pedido do Ministério Público, mas está foragido.

Diante do ocorrido é inevitável que surja todo tipo de comentário, alguns verdadeiros, outros falsos, alguns impregnados de humanidade, outros recheados de hipocrisia. Infelizmente a violência, mais uma vez, abriu seus braços intrépidos e deu margem ao sofrimento, quem sabe já anunciado. Mas, na vida há esses desígnios e deles podemos fazer inevitáveis reflexões e questionamentos.

Aconteceu, inegavelmente, um ato de selvageria por parte de Ânderson Amaral, cidadão com o qual nunca fiz um contato se quer – é bom que se diga antes que algum analfabeto funcional entenda mal a minha opinião. O desequilíbrio inflamou-lhe o coração e agora resta-nos a indagação do que poderia tê-lo levado a cometer tamanha barbaridade, uma vez que ele, até então, tinha uma imagem pública e bem conceituada. Aos pés desse triste questionamento nascem muitas outras perguntas acerca de um homem que diz que quer pagar pelo crime como manda a lei, mas até o presente momento não se entregou à polícia.

A violência é injustificável, principalmente por parte de quem se torna o personagem principal da agressão. Mas em um cenário com um protagonista e um ou dois antagonistas e tão numeroso público, que sabe fazer muito bem o papel de figurantes, precisamos lembrar também da responsabilidade da fervorosa plateia que, ao ligar e passar mensagens para o marido, se passou covarde e anonimamente por informante da vida pessoal da mulher do vereador, denunciando a suposta transgressão aos compromissos sexuais implicados no estabelecimento das relações matrimoniais.

A sociedade tem se valido de concepções retrógadas que estão muito longe de serem sensíveis e, diante disso, nasce todo tipo de intriga que, se verdadeiras ou não, os fofoqueiros de plantão, verdadeiros caturras, nada têm porque interferir.

Ânderson sofreu uma desordem emocional e a falta de equilíbrio suscitou-lhe pensamentos frios e covardes. Diante da cena trágica que mudaria toda sua história, ele, de acordo com a mulher, disse que a estava castigando como faziam os homens medievais. O medievalismo foi marcado por duas extremidades, uma em que ao marido era imputado o dever quase sagrado de cuidar e proteger a mulher com desvelo e, a outra, que era o direito que o marido possuía de castigá-la e humilhá-la, em público, sem qualquer interferência. As mulheres nessa época eram predestinadas a um homem, que ainda em idade imatura passavam a viver com o candidato escolhido.

A história do casal que teve um fim patético também começou muito cedo, já que Jamile passou a se relacionar com o homem que mais tarde se tornaria o seu marido aos treze anos. Apesar de o seu relacionamento ter lá suas aparências medievais, o desespero desvairado e dilacerante fez com que Ânderson esquecesse-se de que estava centrado, irrevogavelmente, no século XXI. Ele se esqueceu ainda de que a antiquada justiça medieval não vale para os dias atuais.

Por falar em história é bom lembrarmos de que nós escrevemos a nossa própria narrativa e isso significa algo belíssimo, pois o supremo criador do universo nos proporcionou o livre-arbítrio, o direito de decidirmos o que queremos e com quem nos relacionar. A história escrita por Ânderson pode ter tido participações alheias, mas a ele, e tão somente a ele, como a qualquer outro ser humano, foi dado o direito de tomar sábias ou errôneas decisões. Em janeiro desse ano discorri sobre “sementes carregadas de crise e de pânico” e alertei para a inevitável Lei da Semeadura, que nos faz refletir sobre a consequência de tudo aquilo que praticamos.

A lei infalível da boa semente nunca poderá ser adulterada, ela é a mesma para todos que estão lutando na arena da vida. O plantio de uma boa semente traz a tranquilidade dos bons frutos, no entanto, quem planta frutos apodrecidos fatalmente fará uma colheita de cicatrizes eternas. Infelizmente algumas pessoas só refletem acerca do que plantaram quando o seu alforje volta destruído pelos frutos lúgubres advindos de atitudes inconsequentes, por não terem sequer ouvido os sábios conselheiros.

Na vida precisamos valorizar aspectos que certamente nos ajudam a ser vitoriosos: o ritmo, a tenacidade e o equilíbrio que, somados ao tempo, são lemes que nos orientam durante as tempestuosas cavalgadas. Na árdua missão de viver nesse mundo de invejosos o equilíbrio é o fator preponderante para nos manter aceitáveis nessa sociedade cheia de hipócritas. Portanto, antes de qualquer reação nossa é conveniente que reflitamos por algum tempo. Às vezes, apenas oito segundos, tão preciosos para um peão, seja o suficiente.

Lamentavelmente, mais uma vez as cortinas macabras se abriram na bucólica cidade de Ibirapuã. Os caturras, que sempre se fazem presentes nas arquibancadas quando o espetáculo se dá em torno da infelicidade alheia, ajudaram a escrever a peça impregnada de transtornos e que agora nada tem de alegres galopes. Há uma transgressão empoeirada pela qual o locutor de rodeios terá que ser responsabilizado, pois a lei dos homens (aquela que simbolicamente faz uso de uma mulher com os olhos vendados), sem dúvidas – pelo menos é o que se espera -, cumprirá o seu papel com severidade e rigor absolutos. Quanto aos caturras, que a lei de Deus (aquela que é onipresente e não falha) tenha misericórdia.

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